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Começou com uma Honda CG 78 comprada num leilão do Detran. Batida. Meu pai não tinha muitos recursos, porém quis me dar algo de valor. Fomos juntos ao leilão. Arrematou a moto por um valor singelo, que para ele representava muito. Também tinha ele uma CG, na qual aprendi a pilotar. Disse: “É o que posso te dar.”
Fiquei deslumbrado. Agora com minha própria moto! Levei seis meses para fazê-la funcionar. Até aquele momento, meu relacionamento com motos se dava através de revistas especializadas (Duas Rodas, Motoshow, esta última, se conhece, entrega sua idade avançada…), compradas ou lendo na biblioteca e vendo os amigos rodarem. Era 1985.
Um tanque enferrujado, arruelas de vela calçando a embreagem, pneus ressecados, mas era a minha moto. Eu a amava como uma parte de mim. Muitas aventuras. Primeira viagem de Curitiba a Maringá. Horizontes descortinados, muita vida.
Passaram-se muitos anos. E muitas motos. Histórias infindas que compartilhamos quando encontramos outros apaixonados. Moto é um assunto que não tem fim. Hoje, muitas vezes que me refiro a alguém conhecido, nem sempre lembro o nome, mas sei que moto tem. Então é assim: “Lembra do fulano… esqueci o nome… aquele da Lander azul…
Li um dia na Bíblia:
Uns confiam em carros, outros em cavalos; nós, porém, nos gloriaremos em o nome do Senhor, nosso Deus (Salmos 20.7 – ARA)
Não penso que confiamos em carros e motos. Pelo menos não devíamos confiar. Deixar-nos-ão na rua, vez por outra. Por mais que a manutenção esteja em dia.
Mas a vida segue e muitas vezes prosperamos. Trabalho, dedicação, filhos adultos, casa quitada e chegou a hora. Moto nova, claro! Zero e segurada. Não tem como dar errado!
No entanto, com o tempo, aquela confiança dita nos Salmos 20 parece que foi fenecendo, ficando distorcida como as marcas da estrada na neblina noturna com farol halógeno.
Um dia liguei a moto e ouvi um ruído estranho da bomba de injeção eletrônica. Resultado: parada na concessionária esperando a peça. Previsão de 30 a 120 dias!
Fiquei pensando que, as antigas, carburadas, não davam tanto B. O. Não desanimei, pois tenho outra moto: uma XLX 250, ano 1990 quietinha na garagem, uma joia que uso só para a “expedição padaria”. Saí com ela, orgulhoso de ter duas motos. Dez quilômetros depois quebra o eixo do pedal de marchas. Volto, quilômetros intermináveis pra casa em segunda marcha, a 20/30 Km/h. Novamente à pé. Irritei-me, porque a antiga quebrou também. Olhei para cima e perguntei: Por que, Deus?
Lembrei da passagem bíblica destacada: “Uns confiam em carros, outros em cavalos”.
Percebi minha confiança desfocada. Afinal, moto é carro e cavalo juntos! Talvez se o versículo fosse escrito hoje diria: “uns confiam em Uber e motos.” Porém a sequência do texto seria a mesma. Nós não devemos confiar na força do nosso braço, ou naquilo que conquistamos nessa vida. Acalmei-me e agradeci pelo ensino.
É provável que sua confiança não esteja na ou nas motos que tem. Pode ser que confie na sua força, saúde, inteligência, dinheiro, capacidade profissional ou o que seja.
Podemos ser surpreendidos com situações em que tudo isso pode faltar ou não ser suficiente. Porém há um lugar em que depositar a confiança gera lucratividade garantida e resultado seguro:
Confia no Senhor de todo o teu coração e não te estribes no teu próprio entendimento.
(Pv 3.5 ARA)
E ainda:
“não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou o teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a minha destra fiel.” (Isaías 41.10 ARA)
Sigamos nos alegrando com as coisas e talentos que Deus nos agracia, mantendo, claro, a manutenção de nossas máquinas em dia e depositando sempre a confiança nele!
Uratai Branco, fevereiro/25
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