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LEGADO DE PAI


Uratai Branco

Corro os olhos por desenhos colados na porta do guarda-roupas, já desbotados pelos anos. Expressões de um mundo visto por olhos de crianças. Penso que, como foi comigo, olhos infantes que nunca duvidaram que o pai providenciaria tudo que era necessário.

Quem dera. Nos anos que os vi crescer, muitas vezes tive medo de não conseguir. A provisão, a proteção, a manutenção do vínculo familiar, este último muitas vezes abalado.

Mas o temor não paralisou. Serviu para que eu perseverasse. Que eu desse passos na direção que acreditava ser o melhor para a família. Passos firmes, passos trôpegos, saltos largos. No meio dos turbilhões, eu não sabia o que hoje tenho certeza: queria ser proteção e exemplo. Não herói. Exemplo de alguma coisa perene, que fosse um legado.

            Viajei com eles de motocicleta. Apresentei lugares que são mais belos sobre duas rodas. Tive o cuidado de, ao alcançarem a maioridade, auxiliá-los na obtenção da habilitação para pilotar. Se deixei algo de material? Uma moto para cada um, para que provassem do prazer que só os motociclistas conhecem. Com elas fizeram seus próprios destinos e “compraram terreno” também.

Fui regiamente pago vendo-os crescer e vencerem muitos desafios. Acertando onde eu acertei, acertando onde eu errei. Eles também errando e errantes!

Hoje se bastam, não precisam mais de um pai protetor. Vejo-os caminhar, sem necessidade de amparo e proteção natural. Seguros de tudo? Claro que não. Talvez com as mesmas incertezas que eu tinha sobre a vida. Mas construindo suas histórias fundados na fé e no caráter que têm. Um dia serão amparo e proteção dos seus. E esse é o meu legado. Impossível não lembrar deste princípio contido nas escrituras sagradas:

Instrua a criança no caminho que deve andar, e, ainda quando for velho não se desviará dele. (Provérbios 22.6)

Bora rodar?

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