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CONVENIÊNCIA, PAIXÃO OU AMOR?


urataibranco@gmail.com

MC Ceifeiros da Meia Noite

As múltiplas vantagens de uma moto conhecemos muito bem. Um veículo ágil no trânsito urbano em cidades cada vez mais congestionadas. Economia de combustível em relação aos veículos de quatro rodas, feitos para 5 pessoas e muitas vezes com apenas um ocupante. Ótima opção para o deslocamento ao trabalho, estudos e lazer, sem falar na redução das emissões de poluentes nas cidades. Rápidas e práticas de estacionar, as de menores cilindradas têm um preço acessível a muitos. São o desejo de consumo daqueles que buscam praticidade e economia.

Tais explicações por si só já justificariam a aquisição de uma motocicleta: conveniência. Assim, um simples raciocínio lógico pode resultar na compra ou desejo dela.

Perigosa? Sim, o corpo exposto a mais riscos do que em um automóvel. O transtorno da chuva e do frio, sem falar que algumas são mais visadas por ladrões do que outros veículos. Quem procurar defeitos certamente vai achar.

Mas há muito mais envolvido. Alguns encontrarão nelas um significado mais profundo.

Estava rodando pela cidade, quando parei em um semáforo. Na faixa de pedestres pai e filho atravessavam, quando o pai aponta ao filho a moto com um sorriso. Ambos com a felicidade marcada no rosto. Talvez memória de um passado ou um sonho futuro. Lembrei da minha infância, rosto e mãos colados na janela do carro, extasiado com todo o tipo de motos nas ruas. Algo pulsando dentro de mim. Um desejo ainda incompreensível, de que precisava conhecer melhor os mistérios daquele veículo.

Quando rodamos por aí em nossas motos, algumas pessoas, assim como na minha infância, vão parar para admirar. O sorriso preso nos lábios ou solto em cumplicidade da materialização de um sonho bom. Trocamos cumprimentos com irmãos desconhecidos em sinaleiros e esquinas. Conversas com outros motociclistas em paradas de abastecimento como se fôssemos velhos conhecidos. Relacionamentos, interação.

Existe um sentimento profundo que se confirma quando algumas pessoas têm o primeiro contato físico com elas, as motos. É claro que estamos falando da paixão. Aquele algo arrebatador; intenso.

Se falamos de relacionamentos com pessoas, é fácil reconhecer. A paixão nos faz como que “bobos”, fora da realidade, pensando intensamente e querendo estar onde está a pessoa alvo desse sentimento, mesmo que seja tão somente para admirá-la.

Só que uma paixão pode acabar como começa, repentinamente. É o caso daqueles que caíram um dia e nunca mais pilotaram. Isso ocorre se não passamos para o estágio seguinte: o amor.

O amor é mais envolvente, estável, mais profundo. Trata-se de uma decisão quando queremos perpetuar um relacionamento. Talvez pareça diminuir a intensidade do sentimento, mas este se estende no tempo. Implica em renúncia e dedicação, em reconhecer os defeitos e admirar as qualidades.

Não resulta de encontrar alguém ou algo perfeito, mas sim em estar disposto a conhecer melhor e se envolver com algo ou alguém imperfeito de uma maneira mais profunda.

Nossa moto pode ser ou não aquela dos sonhos, ainda! Pode ter nos deixado na rua por algum defeito. Pode ter caído. Mas é aquela que temos, e nelas depositamos uma porção da nossa capacidade de amar.

Falamos de coisas, corpo e alma. E espiritualmente? “Acima de tudo isto, porém, esteja o amor, que é o vínculo da perfeição.” (Colossenses 3.14 ARA). Isso explica bem porque investimos recursos e tempo no objeto do amor.

Por isso creio que um ou uma motociclista tem ainda mais experiência e entendimento para compreender o amor maior:

Mas Deus demonstra o seu amor por nós: Cristo morreu em nosso favor quando ainda éramos pecadores. (Romanos 5.8 – NVI)

O amor que temos pelas motos nos inspira a compreender os relacionamentos e até o amor de Deus para conosco! Bora rodar mais além, certos desse amor?

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